24/03/2012

Restaurantes Indianos/Nepaleses – Kathmandu

Confesso já que, quando saímos de casa, Kathmandu não era o destino que tínhamos em mente! Na realidade, a nossa ideia era revisitar o Chili Room, mas acabámos por ir para Kathmandu, na Rua Ponta Delgada, 31 B/C, à Estefânia.

Há já algum tempo que não íamos a este restaurante, mas guardava na ideia boas referências de outros jantares. Quando chegámos, apesar de sexta-feira à noite, fomos os primeiros. O ambiente geral deste restaurante é agradável, as paredes pintadas com os iconográficos olhos de Buda, os candeeiros laranja, cores quentes a toda a volta e as toalhas de mesa aos quadradinhos. Apesar de ter a televisão na Sportv (mega turn off!), o som estava mudo e a companhia era tão boa que não foi por aí que me distraí.
Quanto ao que mais interessa!
O Naan de alho gerou logo ali debate… apesar de saboroso, sinceramente parecia congelado, com manteiga de alho por cima - mas repito, estranhamente, apetitoso e estaladiço. O meu companheiro destas andanças – extraordinariamente – não pediu lentilhas e optou por Chana Masala (grão com tomate, cebola e especiarias). Eu provei e digo de imediato – já provei melhor (inclusive neste restaurante!). Quanto a mim, fui pelo tradicional Kathmandu Bhantta Tarkari, um tipo de caril de beringelas. Aqui confesso que me surpreendi. Logo de imediato perguntei se este prato levava natas (detesto natas em pratos salgados e se conseguir evitá-las, melhor!), ao que simpaticamente me responderam que poderiam fazê-lo sem natas – óptimo. E estava delicioso, sobretudo para quem adora beringelas como eu! O sabor a beringela assada, cominhos e especiarias, sem aquele adocicado de natas, nota muito positiva! O arroz não estava nada de extraordinário e o roti que pedimos para acompanhar vinha dobrado em triângulos e tinha uma consistência mais dura do que a que normalmente conhecemos (geralmente utilizamos o roti como auxiliar, para comermos com as mãos que, neste caso, não deu).
O vinho da casa era, segundo me recordo, Borba e rematámos com umas deliciosas Gulab Jamun, bolinhas de leite fritas, em calda adocicada, dois cafés e a conta por favor! – 24€ e qualquer coisa.
O ambiente é agradável, o pessoal simpático, o jantar… já provei melhor (ali mesmo), mas mesmo assim… no geral, 7.

23/03/2012

Tofu Espiritual

No âmbito do nosso desafio Cozinha Portuguesa Vegetariana, eis aqui mais um petisco - Tofu Espiritual.

Nunca cheguei a fazer esta receita na sua versão original, isto é, com bacalhau, nem tão pouco me lembro de a ter provado. Contudo, tive recentemente a oportunidade de me reunir com amigos a uma mesa que apresentava as duas versões deste prato.
Quem provou os dois não só ficou deliciado, como espantado com a semelhança e, mesmo aqueles que antipatizam peremptoriamente com tofu, adoraram esta versão!

Ingredientes :

1 embalagem de Tofu (utilizei da marca Cem Porcento, à venda em qualquer Pingo Doce, 2.44€);
1 pacote de batata palha, 400gr;
1 pacote de cenoura ralada, 300gr;
1 cebola;
2 dente de alho;
1 pacote de natas de soja;
Queijo ralado (utilizei emmental, mas, em alternativa, poderá utilizar pão ralado);
Azeite;
Sal e Pimenta.

Como fazer:

Antes de mais, deixar o tofu marinar em sumo de limão, coentros picados, alho picadinho, sal e pimenta; poderá fazê-lo de um dia para o outro ou por algumas horas (no mínimo 4) - quanto mais tempo deixar, mais saboroso ficará o tofu.

Picar a cebola e o alho e refogar em azeite. Depois de marinado, cortar o tofu às tiras (aqui optei por tiras finas de ± 5cmx1cm para que, posteriormente, não se destacassem pedaços enormes de tofu, para que o preparado fosse homogéneo; porém, poderá também, ao invés de tiras, utilizar o tofu esfarelado).
Bom, juntar as tiras de tofu ao refogado e mexer, com o devido cuidado. De seguida, juntar a cenoura ralada, mexer, e deixá-la murchar por completo. Adicionar a batata palha e, para ligar tudo, juntar um pacote de natas (optámos por natas de soja). Mais uma vez, revolver gentilmente todos os elementos, rectificar de sal e pimenta (atenção porque normalmente as batatas palha já são bastante salgadas) e dispor o preparado num pirex. Por cima, para a gratinar, colocar queijo ralado ou, em alternativa, pão ralado e forno com ele! Servir com uma saladinha fresca, um copinho de branco fresco e bom apetite!
Nota: um especial obrigado à amiga Aida a quem pertence esta receita.

22/03/2012

Sopa de Feijão e Cominhos

Não há nada melhor que sopa! Por várias razões – por ser saudável, económica, versátil (normalmente fazemo-la em creme e depois, para a tornar mais robusta e completa, juntamos arroz, quinoa ou cubinhos de tofu), para além de muito simples e prática (com sopa no frigorífico, a qualquer momento tem uma refeição pronta!).
Porém, as sopas cá de casa não são exactamente as mais tradicionais. Normalmente, utilizamos como ‘base’ nabos, cenoura, curgete e cebola e, a partir daí, o que houver no frigorífico ou na dispensa – cá em casa nada se perde, tudo se transforma. Umas vezes corre melhor que outras e, desta vez, correu muito bem! O casamento de feijão com cominhos é um dos mais felizes e o creme ficou aveludado, uma delícia!

Ingredientes:

1 lata de 400gr de feijão encarnado;
2 nabos grandes;
1 pedaço de abóbora, ±500gr;
2 curgetes pequenas;
1 cebola,
2 dentes de alho;
1 colher de sopa de cominhos e outra de sementes de cominhos.
Sal;
Água;
Azeite.

Como fazer:

Não há cá grande ciência nas nossas sopas. Lavam-se, descascam-se e cortam-se todos os elementos - os nabos, a abóbora, as curgetes (eu deixo a casca), a cebola e o alho – e colocam-se numa panela alta. Passa-se o feijão encarnado por água e junta-se aos restantes ingredientes. Cobre-se com água e tempera-se com sal e, neste caso, a colher de sopa de cominhos. Deixar ferver até todos os ingredientes se apresentarem cozidos; nesse momento, retirar do lume e, com uma varinha mágica, reduzir a creme. Voltar ao lume brando e juntar 3 colheres de sopa de azeite e uma colher de sementes de cominhos. Rectificar de sal e deixar ferver durante mais 10 minutos.
As easy as that!

20/03/2012

Restaurantes Indianos/Nepaleses – Fishtail

Como o próprio nome deste blog indica, somos grandes fãs da culinária Indiana e Nepalesa. Quando chega ao fim da semana, costumamos palmilhar as ruas da cidade em busca dos melhores pratos vegetarianos em restaurantes destas cozinhas. Assim, a partir desse ritual, inicio neste blog um espaço de apreciação crítica, e debate, sobre restaurantes da cidade, com especial incidência nos que representam a culinária do magnífico subcontinente indiano!
Com o passar do tempo temos assistido à ascensão e queda de alguns estabelecimentos – por exemplo, foi com tristeza que passei recentemente pelo meu querido Chili Room, perto do mercado de Arroios, para ver que este se apresentava muito desarrumado e com um cheiro um pouco estranho, dei meia volta e fui-me embora… Este era um dos nossos favoritos, uma vez que apresentava um menu vegetariano extraordinário e bastante variado. Bom, para não passar já um juízo definitivo, hei-de lá voltar para ver se se mantém no mesmo estado.

Assim, hoje falo-vos de uma agradável surpresa - o Fishtail, na Av. Óscar Monteiro Torres 54B, à Av. Roma, tel.:218 277 300.

Inicialmente estabelecidos em Almada, mudaram-se para Óscar Monteiro Torres, à Av. Roma, muito para minha alegria, até porque vivo a 10 minutos a pé. Desde o inicio do ano já lá fomos umas quatro vezes. O local é agradável e, mais importante, limpo e organizado. Creio que se tratava de um restaurante de cozinha típica Portuguesa e reconhecem-se imediatamente elementos que se mantiveram dessa decoração. Contudo, uns acessórios nepaleses, os panos tradicionais, os candeeiros típicos e imagens iconográficas daquele país, recompuseram o ambiente, tornando-o agradável.
O pessoal é muito simpático e predispõe-se a 2 dedos de conversa, o que é sempre bom. São bastante solícitos, sem serem chatos, e estão sempre atentos e preocupados se está tudo bem na nossa mesa. Sem dúvida, nota máxima para o atendimento.
Bom, ao que mais importa, o que se apresenta no prato!
O menu, no que respeita os pratos vegetarianos, não é dos mais variados - apresenta apenas 10 opções, todas habituais neste tipo de menu, como por exemplo, os tradicionais Chana Masala, Veg Curry, Veg Korma, Saag Paneer, assim como 1 Veg Biriyani (próximo a experimentar). Contudo, apesar de não se pautar pela excepcionalidade, o que se apresenta é delicioso. São certamente pratos comuns, mas, no geral, bem confeccionados e generosamente servidos.
O meu companheiro destas andanças tende a pedir Dal (lentilhas), tamanho é o seu vício pela deliciosa leguminosa, e as que aqui se servem – Palpali Daal (lentilhas típicas do Nepal com manteiga e natas em molho especial, 6.45€) - têm se verificado sempre impecáveis! Já eu vario mais e, desta vez, destaco Vanta Sadeko (pasta de beringelas com especiarias, 7.75€) ou Chayu Saag (caril de espinafres e cogumelos, 6€) - este último especialmente delicioso! Nota muito positiva também para o arroz basmati (que, caso necessário, é prontamente reabastecido sem custos adicionais), assim como para o Naan (de alho, 2€) e para as Onion Bahaji (pastéis de cebola fritos com farinha de grão, 1.25€).
No geral, este Fishtail é uma boa opção; não é terrivelmente caro, o vinho da casa (segundo me lembro) é JP e um jantar para 2, com as entradas, os principais, o vinho e uma sobremesa a dividir (aqui há bebinca!) fica, em média, 25€. Nota: pode ficar mais barato se não pedir vinho, ou se se abstiver das entradas ou sobremesa.
Nota geral: 7.8

19/03/2012

Cozinha Portuguesa Vegetariana!

Uma das perguntas que me colocam com mais frequência, em conversas sobre alimentação e vegetarianismo, é a incrédula Como consegues??, imediatamente seguida da afirmação convicta Eu cá não conseguiria viver sem carne ou peixe, sem os meus petiscos favoritos da cozinha Portuguesa!
É certo que o ‘bom Português’ gosta de comer (e beber) bem – eu cá gosto e não é pouco! – porém, não é por ser vegetariana que deixo de cozinhar os nossos pratos favoritos. Hoje em dia, com um bocadinho de imaginação, é possível recriamos (quase) tudo, não implicando carne ou peixe – ok, será mais complicado recriar sardinhas assadas vegetarianas, contudo, (quase) tudo o resto é susceptível de ser adaptado. A maior parte dos supermercados vende soja, tofu, seitan, matérias que já se apresentam mais elaboradas, em formato chouriços e farinheiras, no barro, com ervas, especiarias e temperos diferentes, proporcionando matéria-prima proteica para os mais diversos cozinhados.
Assim, pretende-se cozinhar pratos tradicionais portugueses, na sua versão vegetariana, e mostrar que, afinal de contas, não é assim tão difícil, nem triste, nem complicado – ser-se Português (whatever that means) e Vegetariano :)

O primeiro prato que se apresenta neste contexto é, sem dúvida, um favorito – Favas Guisadas com Chouriço de Soja
Confesso que adoroooo favas e, apesar de ter feito este petisco com favas congeladas, resultou muito bem.

Aproveitamos ainda para ressalvar outro post, este mais antigo, que recria outro petisco bem típico - à Brás!


Favas Guisadas com Chouriço de Soja


Ingredientes:

1kg de Favas congeladas;
1 Chouriço de Soja (aqui usei o mais fácil de se encontrar, em qualquer Pingo Doce - Chouriço de Soja da Cem Porcento, 3,04€ - nota: usar os 2 chouriços que vêem na embalagem);
1 cebola grande;
1 dente de alho;
½ lata de tomate pelado, aos pedaços (usei o meu favorito, do Pingo Doce, 0.49€);
1 molho de coentros;
Azeite;
Vinho branco;
Água;
Sal e Pimenta.


Como fazer:

Pica-se a cebola e o alho e refoga-se em azeite. Assim que a cebola se apresentar translúcida, juntar meia lata pequena de tomate pelado aos pedaços. Mexer e, logo depois, juntar meio molho dos coentros picadinhos - sentir o maravilhoso aroma que se liberta! De seguida, juntam-se as favas e tempera-se de sal e pimenta. Envolvem-se as favas no molho e acrescenta-se um pequeno copo de vinho branco, bem como um pouco de água, até cobrir as favas. Mexe-se bem e deixa-se guisar durante mais ou menos meia hora; atenção, sempre que necessário, juntar um pouco de água.
Ao fim de meia hora, ou quando a as favas estiverem praticamente cozidas, juntar o chouriço partido às rodelas (uma alternativa a este chouriço é seitan partido aos cubos!) e deixar guisar até as favas estarem bem macias. Por fim, rectificar os temperos e acrescentar o resto dos coentros picados!
Pão, vinho e mesa!

Nota: um especial obrigado à minha mãe que ajudou a preparar esta deliciosa favada!

18/03/2012

Turkish Delight - Hummus, Baba Ganoush e Cacık!

Agora vamos aos molhos que acompanharam as deliciosas Falafel!

Hummus é uma pasta muito popular nos países do Mediterrâneo e Média Oriente.
Esta delíciosa pasta é feita de grão de bico e tahine – tahine não mais é que concentrado de sementes de sésamo (muito fácil de se encontrar, por exemplo, no Celeiro por 2,65€).
O Baba Ganoush é outra pasta tradicional mediterrânica/árabe, mas feita de beringela assada e tahine; o Cacık, lê-se [tsatsik], é o contra ponto - um molho de iogurte, pepino e hortelã – o elemento fresco deste festim árabe.

Hummus


Ingredientes:

1 lata de grão cozido;
4 colheres de sopa de Tahine;
2 dentes de alho picado;
Sumo de ½ limão:
2 a 3 colheres de coentros picados;
Um fio de azeite;
Um pouco de sal;
1 ou 2 colheres de sopa de água.
Para decorar: um fio de azeite e uma colher de chá de paprika.

Como fazer:

Humm... nada é mais simples; juntar todos os ingredientes num robot de cozinha até se obter um puré cremoso. Provar e rectificar, um pouco mais de azeite ou sumo de limão, um pouquinho de água se a pasta estiver muito grossa – o que se quer é um patê cremoso com sabor a grão e sésamo, um travo a limão e coentros. Para decorar, um fio de azeite e uma colher de chá de paprika.


Baba Ganoush



Ingredientes:

2 Beringelas grandes;
3 ou 4 colheres de sopa de Tahine;
2 dentes de alho picado;
Sumo de ½ limão;
2 colheres de coentros picados;
1 colher de chá de chili em pó (em alternativa, paprika);
Um fio de azeite;
Um pouco de sal.

Como fazer:

Primeiro é preciso assar as beringelas. Para o efeito, lavam-se, picam-se ligeiramente com um garfo, envolvem-se em papel alumínio e forno durante 30 minutos. Assim que se apresentarem molinhas, retiram-se do forno e aguarda-se que esfriem.
Quando frias, corta-se e retira-se a polpa com ajuda de uma colher. No robot de cozinha, junta-se a polpa das beringelas aos restantes ingredientes, o tahine, o alho picado, os coentros, o sumo de limão e o fio de azeite, a colher de chili ou paprika. Reduzir a puré cremoso – mais fácil que o hummus, uma vez que, dada a consistência natural das beringelas assadas, este fica logo cremoso. Rectificar os temperos e já está!


Cacık



Ingredientes:


2 iogurtes naturais (eu usei simplesmente os Magros do Pıngo Doce, mas se arranjar dos gregos naturais, ainda melhor!):
½ pepino;
½ ramo de hortelã, finamente picado;
2 ou 3 gotas de sumo de limão.

Como fazer:

Bater os dois iogurtes até ficarem cremosos, picar o pepino em quadradinhos de 1cm e picar a hortelã. Envolver tudo e temperar com 2 ou 3 gotas de sumo de limão - aqui, a gosto.
Voilá!